Sabe, às vezes a gente adota certos padrões de comportamento que, se repetidos exaustivamente, passam a fazer parte de nossas vidas sem que haja maiores questionamentos. Mas vira-e-mexe eu começo a especular sobre o sentido de todas as coisas no mundo, e recentemente me veio à cabeça uns pensamentos sobre a internet, a realidade virtual e a interatividade.
Pois bem, vamos começar pelo começo. No final da década de 90 a tal internet apareceu em minha vida. Em meados da década de 90 minha amada genitora me colocou num curso de computação pra crianças/adolescentes. Tipo, eu nem era tão adolescente assim, eu já me esfregava pelado em meninas e tal. Enfim. Minha mãe achou que o seu filho era pé-vermelho demais, e que deveria entender algo sobre computadores. Pois ela me matriculou nessa escola de informática, a Futurekids. E lá eu aprendi a ligar o micro, desenhar no paint e acessar uma tal de BBS chamada Mandic. Inicialmente eu nem dava muita bola, tinha amigos e vida social suficientes, não entendia o porquê de me comunicar com estranhos de forma remota.
Os anos se passaram, eu ficava longe do computador. Estudava pro vestibular, viajava pro interior, jogava bola até de madrugada com os amigos do prédio, não havia motivo pra ligar o 386, a não ser pra imprimir algum trabalho pra escola (numa impressora matricial de folha contínua).
Meu primeiro contato com a internet foi mesmo na faculdade. Na verdade foi pela net que descobri que havia passado no meu primeiro vestibular. Os resultados eram atualizados quase que a cada minuto no site da faculdade, então eu tive que dar um jeito de entrar nesse monstro virtual. Peguei um cabo que ligava um tal de modem à linha telefônica, liguei pra algum provedor que me instruiu como ter acesso, e pronto, eu estava online. Eu me conectava à rede e ficava uns 2 minutos esperando todas as fotos do uol carregarem, era uma eternidade.
Aí em determinado momento eu tive que criar uma conta de e-mail. Por causa da faculdade mesmo. Ok, e-mail criado. Mas eu nunca gostei de escrever e-mails, a não ser quando estou tentando conquistar alguém de forma barata, e sem saco pra falar ao telefone, que odeio. Bem. Eu lembro que aos poucos eu comecei a descobrir novos horizontes do mundo virtual. Salas de bate-papo, por exemplo. Eu fiquei hipnotizado da primeira vez que entrei numa sala de bate-papo adulto do uol. A sala se chamava "imagens eróticas". Pronto. Era só entrar na sala, apertar o quadradinho que possibilitava rolagem automática da tela, e meu nome era felicidade. Seios, vaginas, bumbuns, bocas e peles de todos os tamanhos, cores, etnias e tal. Um mundo novo batia à minha porta: o da putaria virtual. Pra quem havia passado a vida toda tendo como referência as revistas Playboy e as garotas tímidas que insistiam em transar à meia-luz, eu havia encontrado o eldorado.
Mais pra frente veio o ICQ, que tinha um barulhinho irritante e viciante. O-oh. Pouco a pouco os amigos aderiram à moda, e à noite nos encontrávamos online. A possibilidade de me comunicar instantaneamente com todos era fascinante. Milhares de janelinhas piscando, amigos indicando amigas pra bater papo, sistemas de busca que faziam delivery de mulheres virtuais pro seu computador, amizades virtuais.
E aí a vida começou a mudar pra valer. Adeus, noites de futebol com os amigos. Adeus, dormir cedo depois de folhear um livro ou assistir a Tela Quente. Havia um mundo novo, de possibilidades infinitas, eu eu tinha que descobrí-lo e dominá-lo. O meu caminho das Índias.
Depois disso vieram os primeiros encontros virtuais, aquele friozinho na barriga, enquanto esperava pela menina na praça de alimentação do shopping, com toda minha timidez e 5 borrifadas do meu melhor perfume. Vieram depois disso alguns desapontamentos, algumas paixões, algumas transas. Era o desbravar da mata (virgem?), a subida da serra com mulas, a busca pelo ouro no oeste.
Até que um dia sem querer eu entrei num tal de blog. Era praticamente um diarinho muito divertido de uma menina mais velha que eu. "Pôrra, quero ter um desses". Criei o "Destino", minha primeira aventura pelo mundo da iliteratura. E aos poucos fui expandindo minha lista de leituras, até que cheguei ao blog de quem é hoje um puta amigo, o Renato. Praticamente um irmão que conheci online. Nesse tempo eu já escrevia no saudoso e constantemente ressucitado Betterman. E nesse círculo fiz mais amizades, conheci gente legal pra caramba, gente que me mostrou idéias, filmes, festas divertidíssimas dos anos 80 e músicas que contribuíram com um valor inestimável pra minha vida.
E as reviravoltas tecnológicas continuavam. Em determinado momento alguém percebeu que o ser humano é preguiçoso, e que teria de haver um meio mais fácil pro homem se mostrar ao mundo. Vieram então os fotologs, uma praga que ajuda pessoas carentes e com baixa auto-estima a sorrir por meio de comentários e adesões anônimas, o famoso "me add e me comenta vlw flw". Nesse ritmo foi criado ainda o miguchês e o movimento emo, assim como a popularização do indie, que deixou de ser indie.
Mais ou menos nessa toada o ICQ foi sepultado e trocado pelo MSN, que não possui um sistema de busca e empatou a foda de metade dos nerds online. Sad but true. Até que alguém pensou em criar algo que pudesse suprir essa lacuna: os sites de relacionamento.
E então veio o orkut, também conhecido como "rascunho do inferno". Todas as pessoas passaram a trocar informações confidenciais sobre suas vidas. Pessoas reencontraram amigos de infância, de quem não tinham notícias havia anos, e perceberam que a maioria deles tinha se tornado idiotas e superficiais. Eu pude perceber como o ser humano tem mau gosto, como as pessoas em geral são ignorantes, fofoqueiras e curiosas. Quisera eu permanecer com aquela ilusão de ter amigos bacanas e interessantes perdidos pelo mundo, com quem eu não tinha mais contato por escolhas do destino. Não. De uma hora pra outra, todas as pessoas que você conhecia estavam agrupadas numa página de internet. Ex-namoradas, parentes, colegas de trabalho, vizinhos, todo mundo sabendo que você tem um humor X, uma visão política Y e quatro piercings no mamilo esquerdo. Será que só eu nesse planeta acha que é uma estupidez sem tamanho expôr sua vida pessoal e sua intimidade ao mundo anônimo? Acho que não. Ainda bem. Logo no começo do orkut eu já apagava meus scraps, tinha quem me chamasse de doido. Enfim. Saí dessa merda. Sinto falta de algumas coisas, confesso, mas não estou mais disposto a pagar o preço. Minha privacidade é sagrada. No orkut eu me sentia como se estivesse cagando no banheiro do térreo de um prédio que dava de frente pra Avenida Paulista. Com a porta aberta. Na hora do almoço. Atualmente estou no myspace, que resguarda muito mais minha intimidade. Mas lá não tenho quase nenhum amigo do Brasil, ou seja. Enfim. Orkut fede.
Outro fenômeno da internet que ganha destaque é o glorioso Google, nem preciso linkar. Se algum leitor daqui vive em outro planeta e não sabe o que é o Google, faça o seguinte: entre no google e procure por "google", com ou sem aspas. Não tem erro. Ele é a maior fonte de trabalhos universitários do mundo, assim como o paraíso dos stalkers profissionais. Se você tem menos de 40 anos e não está no google, eu não confio em você.
Youtube. Pronto. Agora fudeu. Ninguém mais tem coragem de correr pelado pelas ruas. Ninguém mais tem as manhas de ir numa festa a fantasia vestido de travesti. Culpa do youtube. O mundo está de olho em você. Não saia da linha, ou está fodido. E por favor: não acredite que seu namorado vai apagar as fotos/vídeos depois. Ele não vai, e um dia o namoro vai terminar. Ou seja...evite a fama de Cicarelli ou Paris Hilton, principalmente se sua profissão exigir o mínimo de respeito ou se você tiver família em cidade pequena do interior.
Enfim. Há muitas outras coisas pra comentar. Lan houses, hackers, pirataria (ou compartilhamento de arquivos, escolha o nome que você prefere), viciados em counter strike, pedófilos, freaks, bug do milênio, tem todo e qualquer tipo de lixo na internet. Vírus. Putz, como o homem é estúpido. Spam. Affe. Eu falei apenas sobre o que fez ou faz parte da minha vida. Sobre esses outros lixos eu nem comento.
E meu ponto é o seguinte: eu sempre me perguntava que rumos a internet iria tomar. E agora eu sei a resposta: a vida real!!!!
Há uma estupidez enorme nisso, mas pense bem: você sai da vida real pra tentar se reaproximar dela com o máximo de fidelidade possível, mas isto é impossível. Criou-se vida dentro do computador, carinhas amarelas que sorriem, choram e vomitam, abraços, power-points de auto-ajuda. E tudo pra quê? Pra interação entre seres humanos. Hummm. Interessante. Mas antes da internet os homens não interagiam? Sim, claro. De diversas formas. Falando, praticando esportes, dançando, transando, enchendo a cara em boteco de mesa de lata, sorrindo, chorando, matando, morrendo, nascendo. E veio a internet. Algo novo. Que evoluiu rapidamente no sentido de: fazer as pessoas interagirem!!! Claro, há benefícios: eu posso ouvir a voz de vocês no Brasil sem pagar telefone e tal. Se bem que escrever cartas que atravessam o mundo de navio é bem mais romântico.
Voltando: eu acho que todas essas criações da internet foram tentativas de fazer o ser humano viver de uma forma pseudo-humana, sem os "perigos" da vida real, entendem? Há essa distância que facilita, que acaba com a timidez, com a rejeição, com o peso do olho no olho. É uma fuga mesmo. Mas tem como objetivo principal fazer o homem sentir. Sentimentos. Não é esse nosso combustível pra vida?
Eu não tenho nenhuma conclusão sobre esse assunto, na verdade tenho mais dúvidas do que tinha antes. Mas eu vejo o mundo inteiro se comunicando por vídeos, fazendo agora blogs no youtube, e o povo comentando também por vídeos, e eu vejo a tecnologia envolvida nisso e me espanto, tudo como uma tentativa de se aproximar do contato real que sempre existiu nas ruas, daqui a pouco vai ser possível fazer download de abraços e cafunés, aí eu me lembro daquele povo estranho que entrava na tal de Mandic BBS pra falar com outras pessoas estranhas (nos dois sentidos), e eu penso o seguinte: não tem jeito mesmo, Bon Jovi estava certo, o homem não é uma ilha. E por mais freak, sociopata, tímido, urbano, artificial e distante de tudo e de todos que um ser humano possa ser, ele sempre vai sentir a necessidade de se comunicar e de vivenciar sentimentos com outros seres humanos, nem que pra isso tenha que ficar sentado atrás de uma tela brilhante que queima sua retina. Pois é, a solidão é o mal do século e Renato Russo acertou:
"Digam o que disserem,
o mal do século é a solidão.
Cada um de nós imerso
em sua própria arrogância
esperando por um pouco de afeição."
E essa nova forma de interagir está mudando o comportamento das pessoas no mundo real. É cada vez mais raro o contato humano nas ruas, o sorriso na hora de comprar o pãozinho, parece que o homem anda sempre desconfiado de algo, agora há duas vidas. Na vida real você existe como um vegetal frio e distante, e seus sentimentos você mostra por meio de caracteres no mundo virtual. No metrô você acha estranho quando alguém puxa papo com você, mas basta algum estranho te mandar um e-mail/comment/scrap/add pra você vomitar sentimentalidades e afeto. Eu acho tudo isso muito estranho. E podre. Estamos criando nossa própria matrix, inventamos personagens que não temos coragem de vivenciar na vida real, nicks, alias, pseudônimos, bogus, fakes. Fakes, é isso que somos, a maioria da geração da internet.
Enfim. Estou ficando louco? Eu prefiro o mundo old school. Mas não gosto de chorar em público. Que belo castelo de areia que arrumamos...
Pois bem, vamos começar pelo começo. No final da década de 90 a tal internet apareceu em minha vida. Em meados da década de 90 minha amada genitora me colocou num curso de computação pra crianças/adolescentes. Tipo, eu nem era tão adolescente assim, eu já me esfregava pelado em meninas e tal. Enfim. Minha mãe achou que o seu filho era pé-vermelho demais, e que deveria entender algo sobre computadores. Pois ela me matriculou nessa escola de informática, a Futurekids. E lá eu aprendi a ligar o micro, desenhar no paint e acessar uma tal de BBS chamada Mandic. Inicialmente eu nem dava muita bola, tinha amigos e vida social suficientes, não entendia o porquê de me comunicar com estranhos de forma remota.
Os anos se passaram, eu ficava longe do computador. Estudava pro vestibular, viajava pro interior, jogava bola até de madrugada com os amigos do prédio, não havia motivo pra ligar o 386, a não ser pra imprimir algum trabalho pra escola (numa impressora matricial de folha contínua).
Meu primeiro contato com a internet foi mesmo na faculdade. Na verdade foi pela net que descobri que havia passado no meu primeiro vestibular. Os resultados eram atualizados quase que a cada minuto no site da faculdade, então eu tive que dar um jeito de entrar nesse monstro virtual. Peguei um cabo que ligava um tal de modem à linha telefônica, liguei pra algum provedor que me instruiu como ter acesso, e pronto, eu estava online. Eu me conectava à rede e ficava uns 2 minutos esperando todas as fotos do uol carregarem, era uma eternidade.
Aí em determinado momento eu tive que criar uma conta de e-mail. Por causa da faculdade mesmo. Ok, e-mail criado. Mas eu nunca gostei de escrever e-mails, a não ser quando estou tentando conquistar alguém de forma barata, e sem saco pra falar ao telefone, que odeio. Bem. Eu lembro que aos poucos eu comecei a descobrir novos horizontes do mundo virtual. Salas de bate-papo, por exemplo. Eu fiquei hipnotizado da primeira vez que entrei numa sala de bate-papo adulto do uol. A sala se chamava "imagens eróticas". Pronto. Era só entrar na sala, apertar o quadradinho que possibilitava rolagem automática da tela, e meu nome era felicidade. Seios, vaginas, bumbuns, bocas e peles de todos os tamanhos, cores, etnias e tal. Um mundo novo batia à minha porta: o da putaria virtual. Pra quem havia passado a vida toda tendo como referência as revistas Playboy e as garotas tímidas que insistiam em transar à meia-luz, eu havia encontrado o eldorado.
Mais pra frente veio o ICQ, que tinha um barulhinho irritante e viciante. O-oh. Pouco a pouco os amigos aderiram à moda, e à noite nos encontrávamos online. A possibilidade de me comunicar instantaneamente com todos era fascinante. Milhares de janelinhas piscando, amigos indicando amigas pra bater papo, sistemas de busca que faziam delivery de mulheres virtuais pro seu computador, amizades virtuais.
E aí a vida começou a mudar pra valer. Adeus, noites de futebol com os amigos. Adeus, dormir cedo depois de folhear um livro ou assistir a Tela Quente. Havia um mundo novo, de possibilidades infinitas, eu eu tinha que descobrí-lo e dominá-lo. O meu caminho das Índias.
Depois disso vieram os primeiros encontros virtuais, aquele friozinho na barriga, enquanto esperava pela menina na praça de alimentação do shopping, com toda minha timidez e 5 borrifadas do meu melhor perfume. Vieram depois disso alguns desapontamentos, algumas paixões, algumas transas. Era o desbravar da mata (virgem?), a subida da serra com mulas, a busca pelo ouro no oeste.
Até que um dia sem querer eu entrei num tal de blog. Era praticamente um diarinho muito divertido de uma menina mais velha que eu. "Pôrra, quero ter um desses". Criei o "Destino", minha primeira aventura pelo mundo da iliteratura. E aos poucos fui expandindo minha lista de leituras, até que cheguei ao blog de quem é hoje um puta amigo, o Renato. Praticamente um irmão que conheci online. Nesse tempo eu já escrevia no saudoso e constantemente ressucitado Betterman. E nesse círculo fiz mais amizades, conheci gente legal pra caramba, gente que me mostrou idéias, filmes, festas divertidíssimas dos anos 80 e músicas que contribuíram com um valor inestimável pra minha vida.
E as reviravoltas tecnológicas continuavam. Em determinado momento alguém percebeu que o ser humano é preguiçoso, e que teria de haver um meio mais fácil pro homem se mostrar ao mundo. Vieram então os fotologs, uma praga que ajuda pessoas carentes e com baixa auto-estima a sorrir por meio de comentários e adesões anônimas, o famoso "me add e me comenta vlw flw". Nesse ritmo foi criado ainda o miguchês e o movimento emo, assim como a popularização do indie, que deixou de ser indie.
Mais ou menos nessa toada o ICQ foi sepultado e trocado pelo MSN, que não possui um sistema de busca e empatou a foda de metade dos nerds online. Sad but true. Até que alguém pensou em criar algo que pudesse suprir essa lacuna: os sites de relacionamento.
E então veio o orkut, também conhecido como "rascunho do inferno". Todas as pessoas passaram a trocar informações confidenciais sobre suas vidas. Pessoas reencontraram amigos de infância, de quem não tinham notícias havia anos, e perceberam que a maioria deles tinha se tornado idiotas e superficiais. Eu pude perceber como o ser humano tem mau gosto, como as pessoas em geral são ignorantes, fofoqueiras e curiosas. Quisera eu permanecer com aquela ilusão de ter amigos bacanas e interessantes perdidos pelo mundo, com quem eu não tinha mais contato por escolhas do destino. Não. De uma hora pra outra, todas as pessoas que você conhecia estavam agrupadas numa página de internet. Ex-namoradas, parentes, colegas de trabalho, vizinhos, todo mundo sabendo que você tem um humor X, uma visão política Y e quatro piercings no mamilo esquerdo. Será que só eu nesse planeta acha que é uma estupidez sem tamanho expôr sua vida pessoal e sua intimidade ao mundo anônimo? Acho que não. Ainda bem. Logo no começo do orkut eu já apagava meus scraps, tinha quem me chamasse de doido. Enfim. Saí dessa merda. Sinto falta de algumas coisas, confesso, mas não estou mais disposto a pagar o preço. Minha privacidade é sagrada. No orkut eu me sentia como se estivesse cagando no banheiro do térreo de um prédio que dava de frente pra Avenida Paulista. Com a porta aberta. Na hora do almoço. Atualmente estou no myspace, que resguarda muito mais minha intimidade. Mas lá não tenho quase nenhum amigo do Brasil, ou seja. Enfim. Orkut fede.
Outro fenômeno da internet que ganha destaque é o glorioso Google, nem preciso linkar. Se algum leitor daqui vive em outro planeta e não sabe o que é o Google, faça o seguinte: entre no google e procure por "google", com ou sem aspas. Não tem erro. Ele é a maior fonte de trabalhos universitários do mundo, assim como o paraíso dos stalkers profissionais. Se você tem menos de 40 anos e não está no google, eu não confio em você.
Youtube. Pronto. Agora fudeu. Ninguém mais tem coragem de correr pelado pelas ruas. Ninguém mais tem as manhas de ir numa festa a fantasia vestido de travesti. Culpa do youtube. O mundo está de olho em você. Não saia da linha, ou está fodido. E por favor: não acredite que seu namorado vai apagar as fotos/vídeos depois. Ele não vai, e um dia o namoro vai terminar. Ou seja...evite a fama de Cicarelli ou Paris Hilton, principalmente se sua profissão exigir o mínimo de respeito ou se você tiver família em cidade pequena do interior.
Enfim. Há muitas outras coisas pra comentar. Lan houses, hackers, pirataria (ou compartilhamento de arquivos, escolha o nome que você prefere), viciados em counter strike, pedófilos, freaks, bug do milênio, tem todo e qualquer tipo de lixo na internet. Vírus. Putz, como o homem é estúpido. Spam. Affe. Eu falei apenas sobre o que fez ou faz parte da minha vida. Sobre esses outros lixos eu nem comento.
E meu ponto é o seguinte: eu sempre me perguntava que rumos a internet iria tomar. E agora eu sei a resposta: a vida real!!!!
Há uma estupidez enorme nisso, mas pense bem: você sai da vida real pra tentar se reaproximar dela com o máximo de fidelidade possível, mas isto é impossível. Criou-se vida dentro do computador, carinhas amarelas que sorriem, choram e vomitam, abraços, power-points de auto-ajuda. E tudo pra quê? Pra interação entre seres humanos. Hummm. Interessante. Mas antes da internet os homens não interagiam? Sim, claro. De diversas formas. Falando, praticando esportes, dançando, transando, enchendo a cara em boteco de mesa de lata, sorrindo, chorando, matando, morrendo, nascendo. E veio a internet. Algo novo. Que evoluiu rapidamente no sentido de: fazer as pessoas interagirem!!! Claro, há benefícios: eu posso ouvir a voz de vocês no Brasil sem pagar telefone e tal. Se bem que escrever cartas que atravessam o mundo de navio é bem mais romântico.
Voltando: eu acho que todas essas criações da internet foram tentativas de fazer o ser humano viver de uma forma pseudo-humana, sem os "perigos" da vida real, entendem? Há essa distância que facilita, que acaba com a timidez, com a rejeição, com o peso do olho no olho. É uma fuga mesmo. Mas tem como objetivo principal fazer o homem sentir. Sentimentos. Não é esse nosso combustível pra vida?
Eu não tenho nenhuma conclusão sobre esse assunto, na verdade tenho mais dúvidas do que tinha antes. Mas eu vejo o mundo inteiro se comunicando por vídeos, fazendo agora blogs no youtube, e o povo comentando também por vídeos, e eu vejo a tecnologia envolvida nisso e me espanto, tudo como uma tentativa de se aproximar do contato real que sempre existiu nas ruas, daqui a pouco vai ser possível fazer download de abraços e cafunés, aí eu me lembro daquele povo estranho que entrava na tal de Mandic BBS pra falar com outras pessoas estranhas (nos dois sentidos), e eu penso o seguinte: não tem jeito mesmo, Bon Jovi estava certo, o homem não é uma ilha. E por mais freak, sociopata, tímido, urbano, artificial e distante de tudo e de todos que um ser humano possa ser, ele sempre vai sentir a necessidade de se comunicar e de vivenciar sentimentos com outros seres humanos, nem que pra isso tenha que ficar sentado atrás de uma tela brilhante que queima sua retina. Pois é, a solidão é o mal do século e Renato Russo acertou:
"Digam o que disserem,
o mal do século é a solidão.
Cada um de nós imerso
em sua própria arrogância
esperando por um pouco de afeição."
E essa nova forma de interagir está mudando o comportamento das pessoas no mundo real. É cada vez mais raro o contato humano nas ruas, o sorriso na hora de comprar o pãozinho, parece que o homem anda sempre desconfiado de algo, agora há duas vidas. Na vida real você existe como um vegetal frio e distante, e seus sentimentos você mostra por meio de caracteres no mundo virtual. No metrô você acha estranho quando alguém puxa papo com você, mas basta algum estranho te mandar um e-mail/comment/scrap/add pra você vomitar sentimentalidades e afeto. Eu acho tudo isso muito estranho. E podre. Estamos criando nossa própria matrix, inventamos personagens que não temos coragem de vivenciar na vida real, nicks, alias, pseudônimos, bogus, fakes. Fakes, é isso que somos, a maioria da geração da internet.
Enfim. Estou ficando louco? Eu prefiro o mundo old school. Mas não gosto de chorar em público. Que belo castelo de areia que arrumamos...
9 comentários:
Escrevi um comentário que ficou muito grande, era quase um post. Achei melhor não. Guardei e resolvi escrever outro. Acabei achando que esse segundo estava emotivo demais, como você falou em parte do texto... um sentimentalismo via caracteres um pouco desmedido. Achei o terceiro o mais adequado...
Também fiz futerkids quando criança! (só que eu ainda era bem criança). Eu amava!
Beijos
E esse second life? Que você paga para ter uma vida virtual... Não é o fim, é o futuro. Ou talvez sejam sinônimos.
eu fiz escola de informática ainda na época do XT, com DOS, WORDSTAR, D-BASE e CLIPPER. Desde então me viciei em computadores. Se estou numa sala de espera e tem a INFO, leio de cabo a rabo. Apesar de estar longe de ser um nerd incomunicável, sempre me fascinou a tecnologia, desde que a certa distância. O lance é conseguir separar, sempre que possível, o joio do trigo dentro da internet. O orkut, é claro, é o joio.
mais um post antológico! obrigado pela menção (de bater uma água no rosto), e sei que a jodie ficaria feliz de ler isso também. ela tem ciúme de mim e da dani por nós termos ido além da fronteira e te conhecido no mundo real. acho que isso serve como bom exemplo pra demais conceitos do post também.
PS: eu fiz o mesmo curso supracitado pelo andré, só que em cidade diferente. hehe sempre sonhei em catalogar todos os meus filmes assistidos no d-base. aí fizeram o imdb e eu desencanei.
Quase todos os meus amigos no Messenger e demais ferramentas nerds são os meus amigos de sempre – alguns do colégio, a maioria esmagadora da faculdade – , que conheci antes da Internet entrar de fato na minha vida. Eu conheci pouca gente por intermédio da Internet, e desses eu conheci apenas alguns pessoalmente. Bom, você foi um deles. Uma vez só, mas (acho que) foi o suficiente para eu acreditar na sua existência! ;)
Quanto ao Orkut... É um açougue mesmo. Nem sei por que cargas d'água ainda não apaguei o meu profile. Como já te disse uma vez, "reencontrar" os velhos amiguinhos foi broxante. Todos na minha faixa etária (26-30), e todos adeptos do dialeto miguxo, entre outras barbaridades! No começo de 2004 era bacana, lembra? Pouca gente, comunidades com não mais de 500 membros, discussões interessantes. Agora, como diria um amigo, virou terra de Marlboro.
Belo post, rapaz.
Abraços!
See ya.
Eu não comecei no FutureKids, mesmo porque eu já não era kid. Já tinha 18 anos completos, colegial recém terminado e não sabia o que fazer da vida. Comecei fazendo aqueles cursos de Windows 3.11 for Workgroups e depois de Office, isto em 1996 no Senai. Também acessei BBSs e tal. A internet veio em meados de 1997. Desde então não imagino mais a vida sem a internerd e como eu vivia sem ela antes dela ter aparecido. Sabe, eu tenho orgulho de fazer parte da primeira geração dos internerdicos do Brasil.
Bruno falando sem saco de logar: cara, dá uma olhada no secondlife.com, isso é o próximo passo. Para bem ou mal, a matrix já tá ai.
Eu pensei em falar nesse secondlife.com, mas achei deprimente demais, algo doentio mesmo. Vi uma reportagem falando que esse mundo paralelo tem sua própria moeda, e os caras trocam dinheiro real por créditos no mundo virtual pra comprar roupas e tal. Fucking sick. Se eu fosse hacker eu acabava com esse site e dava uma enxada pra cada participante. 1 mês carpindo o acostamento da Dutra e eles paravam com essa viadagem.
Caramba, demais esse post.. Também acho a Orkut uma merda. Fiz meu profile ontem e já vou deletar. Só gente besta, dizendo besteira e meu cerébro não aguenta.. My Space??? Tenho meu profile lá e até agora nehum amigo brasileiro, porque todos eles tão no ORKUT.. Não acredito!!! Isso é uma praga!!!
Aliás,pra que fazer parte de uma comunidade se meus amigos nem mesmo se dão ao trabalho de responder meus e-mails...
Valeu...
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