30.10.06

Mulheres

O que são mulheres?

As mulheres, assim, como um todo...o que são?

Digo, como um gênero, pois nenhuma mulher é igual às outras. E talvez esse seja o charme, o mistério. Por mais mulheres que você conheça em sua vida, por mais fêmeas que você seduza, por mais mentiras que você conte pra conseguir comê-las, por mais noites que você atravesse bêbado caçando-as pelas ruas, você nunca vai conseguir decifrá-las "de cara".

Pra conquistá-las não há fórmulas gerais, não adianta pensar em variáveis como x + y = z. Toda vez que você conhece uma nova mulher você se sente como se estivesse na primeira aula de matemática de sua vida. Tendo que resolver uma equação dificílima, sem nem ao menos saber somar.

Eu desconfio desses métodos criados para conquistar mulheres. "Fale isso", "elogie aquilo", "deixe-a falar, ela gosta". Eu já conheci mulheres falantes, mulheres tímidas, mulheres mudas. Já conheci burras, loucas, mulheres geniais, mulheres insuportáveis. Logo não há um método seguro de conquista. Cada uma das mulheres do mundo provavelmente vai gostar de ouvir uma abobrinha específica dita somente pra ela.

Há, entretanto, alguns padrões que facilitam nossas vidas. Por exemplo, saber o gosto musical da pequena. Ou os autores preferidos. Porque aí você já tem assunto, já achou uma brecha, a flechada será certeira, a menos que você seja muito cabaço. Conhecer as mulheres de antemão é praticamente um manual de instruções, "aperte aqui", "levante ali", "vá devagar aqui", é um mapa rodoviário. Mas e aí, qual é a graça nisso? Se você tem acesso a essas informações de antemão, como eu disse, é mel na chupeta. Se você está stalkerando o mundo no orkut e de repente se depara com uma donzela solteira e gostosa, basta pedir truco e jogar as cartas certas na mesa. Pôxa, você sabe quase tudo que ela quer ouvir. E pode deduzir o resto se tiver um mínimo de inteligência.

Eu acho isso tudo muito chato, sabe? Já fiz essas cafajestagens algumas vezes, mas com o tempo isso vai perdendo a graça. Chega uma hora em que o orkut se torna um açougue. Você entra ali e escolhe o que vai querer comer: picanha, maminha, chuleta. E isso funciona também com blogs e flogs. O mais importante é você descobrir uma fonte de informação sobre a mulher. Pronto.

Eu me cansei disso. É bom, por um lado, porque você multiplica sua vida sexual. Mas por outro lado você chega à conclusão de que esse jogo é muito sem-sal. Eu parei com isso há mais de um ano. Se você utiliza esse método pra comer a mulherada você acaba perdendo a capacidade de se deixar surpreender por uma mulher. Você já entra em campo sabendo da vitória, aí nem corre atrás da bola com vontade.

Se você conhece uma mulher sem saber nada a respeito dela as coisas mudam. É como se você tivesse acabado de receber aquele kit de químico mirim de Natal. Você sorri e pensa: "que tesão, tenho tanta coisa pra explorar aqui!". Você volta a sentir aquele friozinho gostoso no estômago, você pensa meticulosamente no que falar pra agradar sua presa, você a decifra aos poucos, cava lentamente até achar a mina. Isso lhe porporciona um sentimento de satisfação. Quando você tem a sorte de conhecer uma menina legal.

Geralmente não é esse o caso. Na maioria das vezes eu jogo a toalha depois de 2 minutos de conversa. Se a menina não se mostra especial nesses dois minutos eu nem me dou mais o trabalho de falar com ela. Geralmente viro as costas e vou embora. Ou agarro-a logo e beijo, se for uma gostosinha. Porque nem sempre tudo está perdido. Há mulheres pra conversar, há mulheres pra transar e há mulheres pra conversar e transar, e geralmente são por essas últimas que nos apaixonamos.

Mesmo sem usar a tática de descobrir as preferências da mulher é possível ser bem-sucedido na conquista. Basta treino. E um bom arcabouço cultural. Eu costumava me testar às vezes. Pra ver o quão bem eu mentia ou me camuflava. É esse o segredo: ser um camaleão no amor. Se você aprende a reconhecer as reações femininas num curto espaço de tempo, você nem precisa chegar armado no campo de batalha. Lembro que uma vez eu conheci uma menina numa boate e logo falei pra ela que eu era roqueiro, mas pelos rumos da conversa descobri que ela era meio hippie. Em 5 minutos eu já tinha contado sobre minhas viagens (que nunca fiz) a São Tomé das Letras, sobre acampar em cachoeiras, sobre fumar maconha, amor livre e Janis Joplin. Pronto, depois de 10 minutos eu já estava a trocar fluidos bucais com ela.

Mas eu juro, uma hora isso cansa. Uma hora você deixa de acreditar que será surpreendido por uma bela conversa, por idéias originais, por um bom senso de humor. Tudo isso naturalmente acompanhado do sagrado trio 90-60-90. Chega uma hora em que você desiste. Há mulheres legais pelo mundo? Há, com certeza. Onde elas estão? Boa pergunta. Namorando, provavelmente. Ou talvez elas sejam espertas demais, talvez elas sejam imunes às mentiras de um conquistador barato e machista como eu.

Eu juro que não sei. Só sinto medo de ter perdido a capacidade de me apaixonar, como eu disse, de me deixar surpreender por uma mulher interessante. Estarei fadado a uma vida de mentiras e sexo avulso? Serei eu um seguidor do velho Bukowski? Não sei. Só sei que fico com ânsia de vômito quando leio ou escuto algo relacionado a esse estúpido mito do amor romântico. Quando você se torna dono do amor, você perde a capacidade de amar.

4 comentários:

Jongleuse disse...

O comentário é sobre a animação que está ali do lado onde antes viamos apenas um inocente biscoite chines... Quanta agressividade!!!

OK, agora vou ler o post...

Anônimo disse...

Pretty girls make graves...

Anônimo disse...

mulher é aquela parte chata em volta da buceta. pronto, falei.

Brain disse...

(Interessante.)